sábado, 17 de março de 2012

Solidariedade se aprende em casa?

Estávamos almoçando numa simples tarde de sábado quando a campainha toca. No primeiro momento pensamos que eram as famosas “irmãs” que teimam em procurar as pessoas para pregarem nas horas mais inoportunas (nada contra a missão delas, mas cada um com seu cada um, certo?) por isso nem demos a devida atenção, mas quando a campainha soou pela segunda vez, minha mãe decidiu levantar e ver quem estava à nossa porta.

Ao voltar para dentro de casa minha mãe disse que era uma mulher com duas filhas pequenas pedindo comida. Por mais dificuldades que alguém possa ter, sempre existe algo disponível a se partilhar. Meus pais costumam contar sobre uma época da qual não me recordo (eu era recém-nascida) na qual nosso Natal foi celebrado com macarrão e salsicha, então desde que melhoramos de vida, estamos sempre dispostos a partilhar algo com quem pede ou doando para alguma instituição.

Na hora do almoço de sábado não foi diferente! Minha mãe e eu arrumamos uma bela refeição, com maças e suco para a tal senhora que, feliz da vida, nos agradeceu por ter ajudado a alimentar a família pelo menos naquele instante. É de partir o nosso coração ver a menina maior cheirar o aroma da comida enquanto aguardava que a mãe fizesse a divisão para se alimentarem em paz.

Tenho plena consciência que a minha educação é solidária, ajudo quando posso sim, sem esperar nada em troca, mas que a pessoa ajudada fique menos triste por pelo menos alguns instantes do dia. Porém, esta situação me fez lembrar uma cena triste que presenciei há alguns anos: uma amiga minha que sofre até hoje de sequelas de uma meningite, mesmo depois de ter passado meses no hospital, negou água a uma senhora que ia de porta em porta pedindo para saciar sua sede. Foi inacreditável ver a minha amiga dizer que não tinha água para dar!

Por isso pergunto no título: Solidariedade se aprende em casa? Porque até onde sei, a mãe dessa minha amiga é solidária. Pena que ela não estava presente neste triste dia onde a filha dela, mesmo ainda adoentada, negou o que não se nega nem mesmo ao inimigo! E puxando outra vez a questão das “irmãs”, vale dizer que esta minha amiga frequenta, assiduamente, a Igreja Universal do Reino de Deus.

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